PROJETO BÁSICO

   

Instalação de Unidades Regionais para capacitação de cafeicultores do Espírito Santo na produção de Cafés Especiais - URCE

 

1 – Apresentação e Contexto

  
       Tendo em vista, por um lado, que há uma exigência do mercado para produção de café com qualidade superior, rejeitando a comercialização de café com percentual superior a 20% de grãos defeituosos (pretos, verdes e ardidos – PVA) e, por outro lado, como o pequeno cafeicultor de base familiar possui condições limitadas para atender isoladamente essas exigências do mercado, é necessária sua participação em organizações rurais tais como as atividades propostas coletivas neste projeto. Nesse contexto, o projeto visa concentrar esforços para que, em conjunto, os pequenos cafeicultores com base na economia familiar tenham condições de aumentar sua competitividade frente a um mercado mais exigente.

A agricultura passa por profundas transformações, exigindo que a cafeicultura esteja cada vez mais preparada para enfrentar as mudanças que se apresentam. Urge, portanto, que o pequeno cafeicultor possua melhor qualificação para prosseguir em seu trabalho e ingressar no mercado competitivo. Nesse sentido, o projeto busca a profissionalização do cafeicultor, dotando-lhe de capacitações tecnológicas inovadoras e dando-lhe condições de implementar inovações gerenciais, organizacionais e ambientais para que se tenha um desenvolvimento da cafeicultura sustentável dos aspectos econômicos, social e ambiental. Para tanto, torna-se necessário oferecer e desenvolver uma capacitação de maneira objetiva, com aplicabilidade na vida prática, através de uma sólida preparação, mediante o ensino de conteúdos que potencializem a sua capacidade de absorção de tecnologias. Nessas circunstâncias, a responsabilidade das entidades rurais consiste em repensar novos meios para definir o perfil do profissional, capaz de enfrentar o avanço tecnológico e o processo de globalização da economia.

Sabe-se, hoje, a preferência do mercado cafeeiro pelo conilon cereja descascado, tendo em vista sua qualidade superior, facilitando a inserção, cada vez maior, do conilon nos “blends” com o arábica e até mesmo permitindo seu uso em bebida exclusiva de conilon. O grande óbice que se deparam os cafeicultores que adotam essa nova tecnologia é a baixa adesão dos cafeicultores tradicionais no processo, não permitindo a produção em maior volume do conilon cereja descascado (CD) a fim de poder atender ao mercado.

A insegurança das indústrias de torrefação e moagem no uso do CD está relacionada diretamente à intermitência na oferta do produto, dificultando o estabelecimento de marcas de café com sabores uniformes. Daí a necessidade da instalação de Unidades Regionais de Cafés Especiais – URCE para aferição mais ampla de seus resultados junto ao cafeicultor, levantando, inclusive, os custos de produção de café por esta via e gerando mais confiabilidade para os produtores.

As comunidades inseridas no processo serão o meio pela qual se dará a alavancagem da introdução dessa importante inovação tecnológica, cabendo ao CETCAF – Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café a transferência da tecnologia, principalmente ao cafeicultor de economia familiar. Nessas comunidades, em ocasiões passadas e num esforço dos agentes do agronegócio do café, já se realizou Cursos de Profissionalização do Cafeicultor capitaneados pelo CETCAT e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (INCAPER), envolvendo lideranças comunitárias capazes de serem agentes de mudanças tecnológicas.

Os referidos cursos tiveram um currículo de abordagens técnicas, num total de 40 horas cada, abrangendo mais os aspectos de plantio, produção, condução da lavoura, etc., assim como informações mercadológicas capazes de instrumentalizar o cafeicultor para o enfrentamento das questões setoriais com mais chance de êxito. Pretende-se, agora, com o presente Projeto, não só criar as Unidades Regionais de Cafés Especiais – URCE, como também assistir diretamente aos cafeicultores e suas organizações vocacionados para a adoção desta importante inovação tecnológica para o café conilon, que é o cereja descascado (CD).

 2 – Justificativa

No período recente, o pequeno cafeicultor de conilon, especialmente aqueles que trabalham em regime de economia familiar, estão se ressentindo de uma melhor agregação de renda à sua atividade cafeeira tendo em vista o desconhecimento das vantagens da produção do conilon cereja descascado (CD). Além desse desconhecimento, pesa sobre ele o fato de que os equipamentos hoje utilizados para produção do conilon CD terem sido produzidos para o café arábica levando à necessidade de, na utilização das URCE`S, efetivar-se inovações tecnológicas que permitam a melhor adequação dos equipamentos à produção do cereja descascado conilon, permitindo assim que o cafeicultor de café conilon (espécie diferente do arábica) possa auferir melhores resultados econômicos e sociais num mercado globalizado e cada vez mais competitivo.

A cafeicultura capixaba tem por característica fundamental sua grande importância sócio-econômica ensejando a oportunidade de emprego e renda a milhares de famílias cuja sustentação de vida se deve ao café como agente econômico mais importante e formador de uma poupança rural que tem permitido a fixação do homem ao campo. Ao par dessa realidade, percebe-se com clareza que os cafeicultores de conilon no Estado do Espírito Santo estão deixando de ampliar sua renda, tendo em vista o desconhecimento da possibilidade de agregação de valor ao produto final com introdução de tecnologia de produção de conilon cereja descascado (CD), atualmente com uma demanda crescente pelo mercado desde que haja volume do produto (CD).

Devido às características da pequena propriedade, com base na economia familiar, necessário se faz reorientar o processo de tratamento do café em caráter associativo para que essa importante inovação tecnológica possa sensibilizar o maior número de cafeicultores inserindo-os numa nova realidade de mercado. Este projeto é pioneiro no Brasil e atenderia a três regiões, previamente selecionadas, tendo em vista suas peculiaridades de preocupação com a preservação ambiental, desejo de permanência na atividade cafeeira, elevado grau de solidariedade no interior do grupo e detentores de lideranças capazes de transferirem essa tecnologia contagiando outras comunidades no engajamento ao processo.

Na execução do projeto em foco as comunidades dessas regiões estarão totalmente engajadas no processo, acompanhando sua execução e seus resultados e conscientizando-se da sua importância para definitiva inserção da cafeicultura de conilon do Estado do Espírito Santo no patamar de uma cafeicultura de qualidade. 

3 – Parcerias

O presente projeto contará com as seguintes parcerias: 

4 – Execução do projeto

-  Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - FAPES/Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia - SECT

            -  Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café – CETCAF

 

5 – Apoio Institucional

            -  Instituto Capixaba de Pesquisa e Extenção Rural – INCAPER

      -  Cooperativas de Produtores de café Conilon: COOABRIEL, CAFEICRUZ e CAFESUL

      -   Associação de Pequenos Produtores de Café do Córrego das Palmeiras – Mimoso do Sul–ES, Bom Jardim – Vila Valério-ES e Guaraná em Aracruz-ES

 

RELATÓRIOS PARCIAIS E FOTOS

Parcial 01

Parcial 02