PADRÃO DE BEBIDA PARA CAFÉ CONILON

 (SEBRAE / CETCAF)

1. Introdução:

O café conilon no Estado do Espírito Santo teve sua implantação comercial em 1971 em São Gabriel da Palha e até esta data não parou de crescer sua área de produção e sua produtividade.

Presentemente, a expansão de área sofreu um refreamento  e os aumentos da produção têm sido conquistados via produtividade. Ressalte-se que nos últimos cinco anos (2000 a 2005) a área de produção cresceu apenas 06% e a produtividade 107%, um testemunho eloqüente dos avanços tecnológicos do setor.

A produção de conilon no Estado do Espírito Santo, hoje, é fator econômico e social de relevo, o que nos impele a promover ações que visem maior agregação de valor ao produto gerando maior renda ao cafeicultor.

Até o presente momento, o café conilon não possuia um padrão de bebida definido, fato que tem gerado inúmeros equívocos, tais como, que este café só serve para a fabricação do solúvel, ou se presta tão somente para os "blends" com o café arábica.

Necessário  se fez definir-se esse padrão de bebida para que assim o café conilon pudesse, em definitivo, ocupar seu real espaço no agronegócio café  no Brasil e no mundo.

Em pouco mais de 30 anos de sua introdução no cenário da cafeicultura capixaba e nacional, o conilon conquistou espaços significativos e posições hoje irremovíveis.

De início, quando de sua introdução, o conilon enfrentou resistências poderosas, inicialmente ao seu plantio e posteriormente ao seu consumo como bebida de qualidade. Tornou-se comum, e ainda hoje o é, embora em menor escala, o conceito de que o conilon possui uma bebida neutra e, portanto, só poderia ser consumido no processo industrial do solúvel. Posteriormente, a indústria nacional de torrado e moído resolveu experimentá-lo nas misturas com o arábica, em proporções não superiores a 5%. Os resultados daí advindos foram extraordinários, não só porque o café resultante dessa mistura apresentasse mais "corpo" como também melhorava a bebida do arábica tradicional. Motivada por esta constatação, a indústria de café foi paulatinamente ampliando o espaço do conilon a ponto de estar hoje utilizando, em média a nível de Brasil, 40% de conilon.

Não obstante essa importante conquista, começou-se a testar marcas de café 100% conilon com grande aceitação popular.

A despeito de todo este avanço, o conilon não possuia, ainda, um padrão de bebida cientificamente reconhecido, fato que vinha dificultando uma agregação de valor ao produto final, que certamente aumenta a renda do mini e pequeno produtor capixaba, maioria absoluta no rol dos 33.400 cafeicultores de conilon.

Havia necessidade premente de se definir esse padrão de bebida para o café conilon para, em definitivo, alçá-lo à condição de um café de excepcionais características organolépticas, tornando-o cada vez mais aceito e preferencialmente procurado pelo consumidor final.

2. Descrição das etapas ou fases de execução:

Foram coletadas 103 amostras padronizadas de café conilon beneficiado, bica corrida, com teor de umidade de 13%, incidência de broca menor que 10% e peso mínimo de 300 gramas.

Utilizou-se o processo pós colheita de preparo via úmida (cereja descascado) e via seca.

A  secagem foi feita em terreiros comuns, terreiros suspensos, secadores de fogo direto e secadores de fogo indireto.

A coleta de amostras para análise foi proporcional à produção média dos principais estados produtores de café conilon.

3. Identificação, nível de envolvimento e responsabilidades dos parceiros:

CETCAF: executor e coordenador dos trabalhos

SEBRAE-ES: patrocínio

4. Colaboradores:

INCAPER (ES)

EMBRAPA (AC)

EMPAER (MT)

COOABRIEL (Noroeste do ES e BA)

CAFEICRUZ (Norte do ES)

CAFESUL (Sul do ES)

COOCAFÉ (MG - Vale do Rio Doce)

CAFEEIRA JACARÉ (RO)

MIRANDA CAFÉ (Norte do ES)

DADALTO CAFÉ (Sul do ES)

CAFENORTE (BA)

5. Amostras:

Nº de amostras / Estado Equivalência (sacas benef.)
76 / ES 241.206
10 / RO 38.759
6 / BA 2.860
2 / MG 570
4 / MT 555
5 / AC 250
Total amostras: Total sacas:
103 284.200

6. Processo:

Processo Sacas benef.
CEREJA DESCASCADO (CD) 6.785
SECADOR FOGO DIRETO 214.683
SECADOR FOGO INDIRETO 23.885
TERREIRO COMUN 34.227
TERREIRO SUSPENSO 4.620
TOTAL 284.200

7. PADRÕES DE BEBIDA PARA CAFÉ CONILON:

SABOR CARACTERÍSTICA
Suave Gosto característico de café conilon, de intensidade suave.
Médio Gosto característico de café conilon, de intensidade média.
Intenso Gosto característico de café conilon, de intensidade marcante.
Gosto Estranho Outros gostos, de origem diversa e predominando sobre o gosto característico de café conilon.

 

 

Recursos humanos responsáveis pelo projeto:

José Guilherme Cortez (Eng Agr. - Consultor Especialista em Degustação de Café)

Marcos Moulin Teixeira (Eng. Agr. - Assessor Técnico INCAPER/CETCAF)  

Frederico de Almeida Daher (Eng. Agr. - Superintendente do CETCAF)

Ernesto Moreira Pachito (Classificador - CETCAF)

Eduardo de Souza Pachito (Téc. Informática - CETCAF)

José Luiz Barbosa de Toledo (Eng. Agr. - Consultor Espec. em Degustação de Café e resp. revisão texto)

Edimilson  Calegari (Classificador - COOABRIEL)


Padrão Bebida Café Conilon  

                                 

Estudo de Qualidade dos Diferentes Tipos

de Café Conilon Produzidos no ES

(ABIC / CETCAF)

 

1. Objetivos:

a) Conhecer os diferentes tipos de café. (tratamento colheita e pós-colheita X qualidade)

b) Melhor aplicação do conilon.

c) Agregar valor ao café de melhor qualidade.

d) Reduzir defeitos no processo de produção.

2. Regiões produtoras do estudo:

Nordeste (Cooabriel) - São Gabriel da Palha, Vila Valério e São Domingos do Norte

Litoral Norte (Cafeicruz) - João Neiva, Ibiraçú e Aracruz

Sul (Cafesul) - Muqui e Mimoso do Sul

3. Estruturação do projeto:

Grupo técnico de avaliação do café:

- Eliana Relvas Almeida - Engª. Coordenadora do GAC (Grupo de Avaliação do Café, do Sincafé-SP)

- Breno Lago Teixeira - Membro do GAC

- Candido Ribeiro - Membro do GAC

- Eduardo Carvalhaes - Diretor Escritório Carvalhaes

- Ailton Alves Ribeiro - Gerente de Qualidade (Sara Lee Brasil)

- Aline Garcia - Pesquisadora Científica, ITAL

- Antonio Carlos Pereira - Gerente Controle de Qualidade Sara Lee Brasil

- Gilberto Nogueira - Classificador e provador do Grupo Santa Clara

- Israel de Souza Costa - Sincafé MG

- Stella Gross - Mombro do GAC, (Sincafé-SP)

- Vanildo Págio - Centro do Comércio de Café de Vitória

4. Metodologia de avaliação:

- PROVAS CEGAS POR REGIÃO

- AMOSTRAS CODIFICADAS

- TORRA PARA "PROVA DE XÍCARA"

- ATRIBUTOS AVALIADOS: fragrância, aroma, defeitos, acidez, amargor, corpo, sabor residual, adstringência e qualidade global.

5. Escala sensorial

6. Avaliação sensorial (Q.G)

7. Média das 3 regiões (Q.G)

8. Avaliação sensorial (defeitos)

9. Média das 3 regiões (defeitos)

10. CONCLUSÕES:

- A oferta de conilon de qualidade merece ser ampliada no mercado.

- Apresentaram uma grande diferença de qualidade, na colheita e pós-colheita.

- Há um espaço muito significativo para a melhoria da qualidade.

11. Recomendações para indústria:

- Cafés de gosto não recomendável reduz o consumo do produto.

- Os cafés melhor preparados, demonstram uma ótima utilização para blends de qualidade superior.

- Otimização do uso do café conilon entre os industriais.

- Estimular a melhoria da qualidade.

- Ampliar a pesquisa das aplicações do conilon.

12. Recomendações para a produção:

- Distribuir material informativo de boas práticas de colheita e pós-colheita.

- Orientação, capacitação e reciclagem dos cafeicultores.

- Substituição dos secadores de fogo direto.

- Uso de novas tecnologias.