PADRÃO DE BEBIDA PARA CAFÉ CONILON

 Ano 2004 (SEBRAE / CETCAF)

1. Introdução:

O café conilon no Estado do Espírito Santo teve sua implantação comercial em 1971 em São Gabriel da Palha e até esta data não parou de crescer sua área de produção e sua produtividade.

Presentemente, a expansão de área sofreu um refreamento  e os aumentos da produção têm sido conquistados via produtividade. Ressalte-se que nos últimos cinco anos (2000 a 2005) a área de produção cresceu apenas 06% e a produtividade 107%, um testemunho eloqüente dos avanços tecnológicos do setor.

A produção de conilon no Estado do Espírito Santo, hoje, é fator econômico e social de relevo, o que nos impele a promover ações que visem maior agregação de valor ao produto gerando maior renda ao cafeicultor.

Até o presente momento, o café conilon não possuia um padrão de bebida definido, fato que tem gerado inúmeros equívocos, tais como, que este café só serve para a fabricação do solúvel, ou se presta tão somente para os "blends" com o café arábica.

Necessário  se fez definir-se esse padrão de bebida para que assim o café conilon pudesse, em definitivo, ocupar seu real espaço no agronegócio café  no Brasil e no mundo.

Em pouco mais de 30 anos de sua introdução no cenário da cafeicultura capixaba e nacional, o conilon conquistou espaços significativos e posições hoje irremovíveis.

De início, quando de sua introdução, o conilon enfrentou resistências poderosas, inicialmente ao seu plantio e posteriormente ao seu consumo como bebida de qualidade. Tornou-se comum, e ainda hoje o é, embora em menor escala, o conceito de que o conilon possui uma bebida neutra e, portanto, só poderia ser consumido no processo industrial do solúvel. Posteriormente, a indústria nacional de torrado e moído resolveu experimentá-lo nas misturas com o arábica, em proporções não superiores a 5%. Os resultados daí advindos foram extraordinários, não só porque o café resultante dessa mistura apresentasse mais "corpo" como também melhorava a bebida do arábica tradicional. Motivada por esta constatação, a indústria de café foi paulatinamente ampliando o espaço do conilon a ponto de estar hoje utilizando, em média a nível de Brasil, 40% de conilon.

Não obstante essa importante conquista, começou-se a testar marcas de café 100% conilon com grande aceitação popular.

A despeito de todo este avanço, o conilon não possuia, ainda, um padrão de bebida cientificamente reconhecido, fato que vinha dificultando uma agregação de valor ao produto final, que certamente aumenta a renda do mini e pequeno produtor capixaba, maioria absoluta no rol dos 33.400 cafeicultores de conilon.

Havia necessidade premente de se definir esse padrão de bebida para o café conilon para, em definitivo, alçá-lo à condição de um café de excepcionais características organolépticas, tornando-o cada vez mais aceito e preferencialmente procurado pelo consumidor final.

2. Descrição das etapas ou fases de execução:

Foram coletadas 103 amostras padronizadas de café conilon beneficiado, bica corrida, com teor de umidade de 13%, incidência de broca menor que 10% e peso mínimo de 300 gramas.

Utilizou-se o processo pós colheita de preparo via úmida (cereja descascado) e via seca.

A  secagem foi feita em terreiros comuns, terreiros suspensos, secadores de fogo direto e secadores de fogo indireto.

A coleta de amostras para análise foi proporcional à produção média dos principais estados produtores de café conilon.

3. Identificação, nível de envolvimento e responsabilidades dos parceiros:

CETCAF: executor e coordenador dos trabalhos

SEBRAE-ES: patrocínio

4. Colaboradores:

INCAPER (ES)

EMBRAPA (AC)

EMPAER (MT)

COOABRIEL (Noroeste do ES e BA)

CAFEICRUZ (Norte do ES)

CAFESUL (Sul do ES)

COOCAFÉ (MG - Vale do Rio Doce)

CAFEEIRA JACARÉ (RO)

MIRANDA CAFÉ (Norte do ES)

DADALTO CAFÉ (Sul do ES)

CAFENORTE (BA)

5. Amostras:

Nº de amostras / Estado Equivalência (sacas benef.)
76 / ES 241.206
10 / RO 38.759
6 / BA 2.860
2 / MG 570
4 / MT 555
5 / AC 250
Total amostras: Total sacas:
103 284.200

6. Processo:

Processo Sacas benef.
CEREJA DESCASCADO (CD) 6.785
SECADOR FOGO DIRETO 214.683
SECADOR FOGO INDIRETO 23.885
TERREIRO COMUN 34.227
TERREIRO SUSPENSO 4.620
TOTAL 284.200

7. PADRÕES DE BEBIDA PARA CAFÉ CONILON:

SABOR CARACTERÍSTICA
Suave Gosto característico de café conilon, de intensidade suave.
Médio Gosto característico de café conilon, de intensidade média.
Intenso Gosto característico de café conilon, de intensidade marcante.
Gosto Estranho Outros gostos, de origem diversa e predominando sobre o gosto característico de café conilon.

 

 

Recursos humanos responsáveis pelo projeto:

José Guilherme Cortez (Eng Agr. - Consultor Especialista em Degustação de Café)

Marcos Moulin Teixeira (Eng. Agr. - Assessor Técnico INCAPER/CETCAF)  

Frederico de Almeida Daher (Eng. Agr. - Superintendente do CETCAF)

Ernesto Moreira Pachito (Classificador - CETCAF)

Eduardo de Souza Pachito (Téc. Informática - CETCAF)

José Luiz Barbosa de Toledo (Eng. Agr. - Consultor Espec. em Degustação de Café e resp. revisão texto)

Edimilson  Calegari (Classificador - COOABRIEL)


Padrão Bebida Café Conilon  

                                 

Estudo de Qualidade dos Diferentes Tipos

de Café Conilon Produzidos no ES

Ano 2006 (ABIC / CETCAF)

 

1. Objetivos:

a) Conhecer os diferentes tipos de café. (tratamento colheita e pós-colheita X qualidade)

b) Melhor aplicação do conilon.

c) Agregar valor ao café de melhor qualidade.

d) Reduzir defeitos no processo de produção.

2. Regiões produtoras do estudo:

Nordeste (Cooabriel) - São Gabriel da Palha, Vila Valério e São Domingos do Norte

Litoral Norte (Cafeicruz) - João Neiva, Ibiraçú e Aracruz

Sul (Cafesul) - Muqui e Mimoso do Sul

3. Estruturação do projeto:

Grupo técnico de avaliação do café:

- Eliana Relvas Almeida - Engª. Coordenadora do GAC (Grupo de Avaliação do Café, do Sincafé-SP)

- Breno Lago Teixeira - Membro do GAC

- Candido Ribeiro - Membro do GAC

- Eduardo Carvalhaes - Diretor Escritório Carvalhaes

- Ailton Alves Ribeiro - Gerente de Qualidade (Sara Lee Brasil)

- Aline Garcia - Pesquisadora Científica, ITAL

- Antonio Carlos Pereira - Gerente Controle de Qualidade Sara Lee Brasil

- Gilberto Nogueira - Classificador e provador do Grupo Santa Clara

- Israel de Souza Costa - Sincafé MG

- Stella Gross - Mombro do GAC, (Sincafé-SP)

- Vanildo Págio - Centro do Comércio de Café de Vitória

4. Metodologia de avaliação:

- PROVAS CEGAS POR REGIÃO

- AMOSTRAS CODIFICADAS

- TORRA PARA "PROVA DE XÍCARA"

- ATRIBUTOS AVALIADOS: fragrância, aroma, defeitos, acidez, amargor, corpo, sabor residual, adstringência e qualidade global.

5. Escala sensorial

6. Avaliação sensorial (Q.G)

7. Média das 3 regiões (Q.G)

8. Avaliação sensorial (defeitos)

9. Média das 3 regiões (defeitos)

10. CONCLUSÕES:

- A oferta de conilon de qualidade merece ser ampliada no mercado.

- Apresentaram uma grande diferença de qualidade, na colheita e pós-colheita.

- Há um espaço muito significativo para a melhoria da qualidade.

11. Recomendações para indústria:

- Cafés de gosto não recomendável reduz o consumo do produto.

- Os cafés melhor preparados, demonstram uma ótima utilização para blends de qualidade superior.

- Otimização do uso do café conilon entre os industriais.

- Estimular a melhoria da qualidade.

- Ampliar a pesquisa das aplicações do conilon.

12. Recomendações para a produção:

- Distribuir material informativo de boas práticas de colheita e pós-colheita.

- Orientação, capacitação e reciclagem dos cafeicultores.

- Substituição dos secadores de fogo direto.

- Uso de novas tecnologias.

                                


Tese de Mestrado do Eng. Agrônomo Marcos Moulin Teixeira

Ass. Técnico INCAPER/CETCAF

 

AGREGAÇÃO DE VALOR AO CONILON

Dissertação Completa - 2011


 

 

BENEFICIAMENTO E SECAGEM EM TERREIRO COBERTO DO CAFÉ CONILON COM DIFERENTES PERCENTUAIS DE UMIDADE.

PROJETO CCCV / CETCAF

 

Marcos Moulin Teixeira / Frederico de Almeida Daher / Ozilio Partelli

Vitória / ES - Ano 2010 / 2011

 1 – Apresentação e Contexto

As transformações que a agricultura passou, de uma produção com poucos agroquímicos e basicamente manual, para uma produção intensa e mecanizada, chamada de modernização do meio rural (CHIMELLO; 2010), exige que a cafeicultura esteja cada vez mais preparada para enfrentar as mudanças que se apresentam.

Os sistemas de produção agrícolas estão em constante transformação, a todo instante surgem novas formas de exploração, modificando o meio cultivado e afetando a base dos recursos naturais (SANTOS; MARTINS; 2006). Portanto, urge que o pequeno cafeicultor possua melhor qualificação para prosseguir em seu trabalho e ingresse nesse mercado competitivo.

Nesse sentido, o projeto busca dar ao cafeicultor os conhecimentos necessários, dotando-lhe de informações tecnológicas e possibilitando condições de implementar inovações gerenciais, organizacionais e ambientais para que possa desenvolver uma cafeicultura sustentável nos aspectos econômico, social e ambiental.

Para tanto é necessário oferecer ao cafeicultor instrumentos capazes de desenvolver informações de maneira objetiva, com aplicabilidade na vida prática, através de estudo em que se possa avaliar as alternativas de secagem do café sem uso do secador. Assim, abole-se a emissão de CO² na atmosfera, além de ensejar ao cafeicultor o domínio do ciclo de todo processo pós-colheita em sua propriedade.

                             

Ressaltamos a possibilidade de evitar a dependência do aluguel de secador particular, que não tem capacidade de atender a todos em tempo hábil e ensejando a produção de cafés de qualidade indesejável. Todo o processo foi trabalhado em duas propriedades adjacentes, de cafeicultores de economia familiar, em que as condições para coleta dos dados fossem adequadas, representativas da região e possibilitassem a mensuração dos resultados com segurança.

 

Percebe-se a vulnerabilidade do conilon capixaba, no que toca a qualidade, tendo em vista o hábito generalizado da secagem em secadores alugados utilizando altíssimas temperaturas na secagem, com o objetivo de se reduzir drasticamente o tempo de secagem sem nenhuma preocupação com o produto final.

 

A exportação brasileira de café foi da ordem de US$ 5,8 bilhões em 2010, correspondendo a 33,5 milhões de sacas, aí incluído: café verde, solúvel, extratos e torrado e moído. Isso demonstra o importante papel que o setor continua desempenhando na economia brasileira (MAPA, 2010). Com a melhoria da qualidade da produção, especialmente do café conilon, as exportações poderão aumentar.

 

Do ponto de vista da alocação racional de recursos produtivos, o café poderá trazer ainda mais benefícios para o País, pois é uma atividade, que por si só, tem condições de se sustentar, dependendo apenas do nível tecnológico e da forma de gerenciamento empregado em todos os segmentos da atividade cafeeira (VEGRO; MARTIN; MORICOCHI, 2000).

 

 2 – Justificativa

A cafeicultura é de grande importância sócio-econômica para o estado do Espírito Santo, pois propicia oportunidade de emprego e renda às milhares de famílias rurais. Ela é a mais importante atividade formadora de poupança rural, possibilitando assim a permanência do homem no campo (PEDEAG, 2011).

 

Os pequenos cafeicultores de conilon, especialmente aqueles que trabalham em regime de economia familiar, estão se ressentindo de uma maior agregação de renda à sua atividade cafeeira. Isso ocorre devido à falta de conhecimento das vantagens da produção do café conilon de qualidade superior, tendo em vista o conceito generalizado de que no momento da comercialização o mercado não privilegia o melhor café, nivelando por baixo o preço, o que tem se revelado um grande equívoco.

No período de pós-colheita do café, momento em que a maioria dos defeitos é originada em função da colheita precipitada e da secagem em secadores de fogo direto a altas temperaturas, é possível agregar valor ao produto final, produzindo um café de qualidade superior, através de mudança no processo de secagem e beneficiamento. Isso evita a sua dependência de secadores externos, eliminando a longa espera para início do processo de secagem, evitando-se fermentações indesejáveis e ainda, permitindo a produção de um café conilon de qualidade superior.

Essa constatação baseia-se nos resultados obtidos adquiridos no estudo preliminar (fase 1), testado de forma incipiente na safra 2010, que foram auspiciosos, fato que ensejou seu aprofundamento com rigor científico, permitindo uma análise mais acurada dos resultados. Eles apontam para a possibilidade do cafeicultor produzir um café de qualidade superior, com adoção dessa prática. E acordo com Resende et al. (2007) o terreiro de concreto apresentou maior eficiência na secagem do café Coffea Canephora comparativamente ao terreiro de chão batido.

      

3 - Objetivos:

- Reduzir a emissão de CO² para a atmosfera, proveniente da queima de madeira e palha de café, em sua secagem.

- Permitir o uso mais nobre ou adequado à madeira, utilizando-a para outros fins: na construção civil, indústria de móveis e celulose, bem como o uso da palha de café para incorporação ao solo, fertilizando-o, melhorando sua estrutura física, favorecendo a retenção daeecendoa lha de café nato, oroduçdade de evitar água e tendo nra física , celulose es e aumentando a atividade biológica.

- Otimizar a utilização da energia solar no processo de secagem natural do café, uma vez que é uma fonte de energia limpa, abundante, inesgotável e acessível a todos. As estruturas a serem utilizadas serão os terreiros-estufas e máquina de beneficiamento. instalados na propriedade do cafeicultor permitindo-lhe o domínio de todo o processo produtivo, facilitando seu controle quanto à qualidade do produto final. 

- Atender à demanda do mercado na produção de cafés de qualidade superior, isento de cheiro de fumaça e gostos indesejáveis.

- Averiguar a redução da perda de peso durante o processo de secagem tradicional (uso do secador rotativo de fogo direto), comparado ao processo de inovação (uso de energia solar).

- Determinar o custoo de cada processo, evidenciando a agregação de valor ao produto.

 4 – Metodologia:

No ano de 2010 foi realizado um estudo preliminar (fase 1), na propriedade do cafeicultor Ozílio Parteli, para verificar a influência de diferentes percentuais de umidade do grão no beneficiamento sobre as características grãos quebrados, nota de bebida e tempo de secagem de grãos de café conilon.

 

Em todas as fases do estudo, os frutos de café conilon foram colhidos manualmente de forma não seletiva, em lonas de ráfia e transportados no mesmo dia para o local de secagem. Estes foram procedentes de uma lavoura representativa da região, dotada de sistema de irrigação, implantada com mudas clonais e manejo conforme recomendação técnica.

Para cada tratamento foi utilizado um volume de 400 litros de café colhido, sendo este esparramado em camada fina e revolvido manualmente de hora em hora, com auxílio de rodo. Aumentou-se gradativamente a espessura da camada de café esparramado, à medida que ocorria a diminuição da umidade dos frutos. O uso de terreiro foi de 12 (doze) m² para cada tratamento, portanto com espessura média de 3 (três) cm.

A condição para iniciar o estudo era que o lote de café colhido possuísse percentual de frutos verdes menor que 20%. As médias obtidas foram: 14,29% de verdes, 73,73% de maduros e 11,98% de secos.

Neste projeto, o CETCAF, juntamente com o CCC-V, a FIMAG e o pequeno cafeicultor Ozílio Partelli, realizaram a secagem do café em terreiro-estufa, construído com piso de cimento, cobertura plástica transparente de 150 micras e pé-direito de 2,10 metros. O beneficiamento do café foi feito em máquina de pilar FIMAG instalada na própria propriedade do cafeicultor. A classificação por tipo e bebida foi conforme COB (Classificação Oficial Brasileira, Ferrão et all. 2007)  e Padrão de Bebida do Café Conilon (CETCAF, 2011).

O estudo no ano de 2011 (fase 2) foi realizado na mesma propriedade e complementarmente (fase 3) na propriedade do cafeicultor Valcir Menegueli, ambos no município de Vila Valério, Espírito Santo. Os teores de umidade final foram corrigidos pelo modelo matemático: PF = (PI x 100 – (UL x PI)) / (100 – UE).

 

Onde:

PF = peso final;

PI = peso inicial;

UL = umidade de leitura, em %;

UE = umidade estabelecida, nesse caso igual a 13%

Na fase 2 utilizou-se os modelos matemáticos com base na significância dos coeficientes de regressão e pelo maior coeficiente de determinação (R²). Foi utilizado o software SAEG 9.1. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com 5 repetições, conforme os processos de secagem:

1 – Terreiro-estufa com percentual de umidade até 22%, beneficiamento e secagem até 13%;

2 – Terreiro-estufa com percentual de umidade até 19%, beneficiamento e secagem até 13%;

3 – Terreiro-estufa com percentual de umidade até 16%, beneficiamento e secagem até 13%;

4 – Terreiro-estufa com percentual de umidade de 13% e beneficiamento;

A estratificação dos percentuais de umidade dos grãos de café adotada nesse estudo teve como base o trabalho de Jasper, Biaggioni e Ribeiro (2008), intitulado “Avaliação do desempenho de um sistema de secagem projetado para os pequenos produtores rurais”. Esses autores analisaram o desempenho do silo secador  alambrado e realizaram uma secagem complementar a partir do teor de água dos grãos de 21% b.u.. Eles concluíram que não houve comprometimento da qualidade final do produto, e o procedimento revelou-se numa opção viável aos produtores de café.

O estudo avaliou os seguintes dados: defeito grão quebrado, defeito total, nota de bebida. tempo de secagem e peso final após secagem.

No estudo complementar (fase 3), realizado na propriedade do Sr. Valcir Menegueli, foram feitos dois tratamentos: secagem em terreiro-estufa e em secador de fogo direto, com 4 repetições, para avaliar as características: notas de bebida, defeito total e peso final. A análise estatística utilizada foi o teste “t” de Student.

5 - Resultados e discussão:

No trabalho preliminar (fase 1), desenvolvido em 2010, obteve-se os resultados conforme (FIGURA 1). Observa-se que há aumento do defeito grão quebrado com o aumento da umidade no beneficiamento, isto se deve à menor consistência dos grãos no momento da pilagem. Quanto à nota de bebida verifica-se pequena alteração em suas médias, porém não são significativas. O tempo de secagem em terreiro-estufa foi maior quando houve redução do teor de umidade no momento da pilagem.

Figura 1 – Defeito grão quebrado (A), nota de bebida (B) e tempo de secagem de café conilon (C) em função do percentual de umidade do grão. 2010.

Na fase 2, ano de 2011, o  número de defeitos quebrados foi menor quando houve beneficiamento com 16% de umidade, seguido de 13%, 19% e 22%(FIGURA 2). Quando os grãos tiverem umidade elevada há tendência em aumentar a quantidade de grãos quebrados devido à sua menor consistência.

Visando sua redução, sugerimos o beneficiamento com 20% de umidade onde obtivemos 18,25 defeitos na classificação por tipo, não sendo significativo estatisticamente comparado com os beneficiamentos de 13%,  16% e 19% de umidade. Porém com beneficiamento de 22%, o aumento do número de defeitos quebrados foi estatisticamente significativo.

 

Figura 2 – Número de defeito grão quebrado em função do percentual de umidade do grão. 2011.

 

Na figura 3 notamos que o número total de defeitos não foi significativo para todos os tratamentos. Sendo a média de 96,75 o número total de defeitos.

 

Figura 3 – Defeito total em função do percentual de umidade do grão. 2011.

As notas de bebidas não foram estatisticamente significativas em todos os diferentes tratamentos. A média das notas de bebida foi de 72,50, (FIGURA 4).

Figura 4 – Nota de bebida em função do percentual de umidade do grão. 2011

O tempo médio de secagem até 13% de umidade foi 12,98 dias (311,5 horas), a média com beneficiamento com 22% de umidade foi de 9,46 dias (227,1 horas), ou  seja, houve uma redução em tempo de 27,1% (FIGURA 5). No entanto ocorreu aumento significativo no número de grãos quebrados, permitindo ao estudo recomendar o beneficiamento dos grãos com 20% de umidade.

Na secagem até 20% de umidade com posterior beneficiamento e completada a secagem até 13% de umidade foram gastas 248,6 horas(10,35 dias), portanto uma redução de 62,9 horas (20,2%) em cada lote de café. Assim, teremos com um custo de mão de obra de R$6,00/hora, uma economia de R$ 377,40 por lote de café.

Considerando o uso de 90 dias úteis de secagem teremos sete lotes de café secos quando beneficiado com 13% de umidade, porém com o beneficiamento dos lotes com 20% de umidade será possível secar nove lotes de igual quantidade, portanto com ganho de dois lotes secos a mais no período considerado. Isto perfaz um total de economia de R$ 754,80, tomando por média um lote de café de 250 sacas, teremos uma economia de R$ 3,02/saca beneficiada. 

Figura 5 – Tempo de secagem em função do percentual de umidade do grão. 2011.

 

Observa-se que com o maior percentual de umidade no beneficiamento há maior peso final dos grãos, isto provavelmente seja o aproveitamento dos frutos moca,  moquinha, entre outros, não sendo eliminados juntamente com as cascas, na pilagem dos grãos.

Os pesos médios obtidos nos beneficiamentos com 13% e 20% de umidade foram 74,3 Kg e 76,9 Kg, respectivamente (FIGURA 6). Houve uma diferença média de 2,6 Kg para cada 400 litros de café em cada lote estudado. Portanto houve um maior aproveitamento líquido de 3,5% no peso final, tomando como referência uma saca de café beneficiada (60 Kg) haverá um ganho de 2,1 Kg em peso, comercializada a um valor de R$ 250,00 por saca, o acréscimo será de R$ 8,75 por saca.

Os resultados econômicos por saca beneficiada foram: redução do tempo de secagem com mão de obra R$ 3,02; ganho em peso R$ 8,75; agregação de valor  pela qualidade superior R$ 15,00. Portanto um acréscimo de valor de R$ 26,77 por saca beneficiada, sem considerar os custos de investimentos em infraestrutura.

O estudo intitulado “ Influência dos diferentes processos de pòs-colheita na agregação de valor do café conilon, concluiu que o custo total de pós-colheita do café tradicional com secagem em terreiro é menor R$ 6,06 por saca que o custo com secagem em secador de fogo direto, (TEIXEIRA, 2011). Ressaltamos ainda a possibilidade de uso do terreiro-estufa para secagem de cereais e outros materiais necessários à propriedade rural, sendo o secador usado apenas para secar café.

Figura 6 – Peso após secagem em função do percentual de umidade do grão. 2011.

Na fase 3 do estudo foi realizada a secagem em secador de fogo direto comparando à secagem em terreiro-estufa, verificando a perda em peso de cada diferente processo de secagem, bem como a classificação por tipo e bebida do café.  Após secagem todas as amostras foram beneficiadas e corrigidos seu peso final para 13% de umidade. Para todos os tratamentos foram feitas quatro repetições.  

Segundo Lopes; et al. (2002) a secagem combinada é um processo que reduz o consumo de energia e mantém a qualidade do produto. Esse método de secagem usa secadores a altas temperaturas para reduzir o teor de umidade de colheita até aproximadamente 20% b.u., quando, então, o grão é descarregado ainda quente no silo e submetido imediatamente a aeração com ar natural, corroborando o estudo ora em foco.

A média das notas de bebida do café com secagem em secador de fogo direto foi de 68,50 e a média com secagem em terreiro-estufa foi 75,25, ou seja a media foi superior com secagem em terreiro de 9,85%. A média do número total de defeitos em secador foi de 176,00 e em terreiro-estufa foi 114,75 defeitos, ou seja o número de defeitos em secador foi superior em 53,37%.(FIGURA 7).

                                   Figura 7 – Médias das notas de bebida e número total de defeitos dos grãos em função doprocesso de secagem. 2011.

O estudo mostrou que as médias utilizadas nas quatro repetições, para secagem em secador e secagem em terreiro-estufa foram de 3,80 e 3,72 Kg de café cereja/ Kg de café beneficiado, respectivamente. Embora se tenha utilizado mais 2,1% de Kg de café cereja/ Kg de café beneficiado no processo de secagem em secador em relação à secagem em terreiro-estufa. (QUADRO 1) o resultado foi estatisticamente não significativo no rendimento em peso em ambos os tratamentos.

 Quadro 1 - Número total de defeitos, notas de bebida e peso (secador de fogo direto e terreiro-estufa).

6- Conclusões:

            Secagem em terreiro-estufa:

- O teor ideal de umidade para beneficiamento do café é de 20%, com isso o número de grãos quebrados é estatisticamente igual em todos os tratamentos.

- Considerando o uso de 90 dias úteis de secagem teremos dois lotes secos a mais perfazendo uma economia de R$ 754,80. Tomando por média um lote de café de 250 sacas, teremos uma economia de R$ 3,02/saca beneficiada.

- Há um maior aproveitamento líquido de 3,5% no peso final, em cada saca de café beneficiada (60 Kg); quando se faz o beneficiamento com 20% de umidade comparado ao beneficiamento tradicional com 13% de umidade diretamente no terreiro. Havendo, então, um ganho de 2,1 Kg em peso, que comercializado a um valor de R$ 250,00 por saca, obteve o acréscimo de R$ 8,75 por saca.

- As médias do número total de defeitos e as médias das notas de bebida são estatisticamente iguais para todos os tratamentos.

 

            Secagem em secador de fogo direto, comparado com secagem em terreiro-estufa:

- Não há diferença significativa na conversão em peso do café cereja para café beneficiado, quando se utilizou a secagem em secador de fogo direto com alta temperatura e a secagem em terreiro-estufa até 13% de umidade.

- São utilizados mais 2,1% de Kg de café cereja/ Kg de café beneficiado no processo de secagem em secador em relação à secagem em terreiro-estufa.

- As médias das notas de bebida do café com secagem em secador de fogo direto foi de 68,50 e a média com secagem em terreiro-estufa foi 75,25, ou seja a media foi de 9,85% superior com secagem em terreiro.

- As médias do número total de defeitos em secador foi de 176,00 e em terreiro-estufa foi 114,75 defeitos, ou seja o número de defeitos em secador foi superior em 53,37%.

 

FOTOS:

FOTO 1: Delineamento de lotes de café do estudo.

 

FOTO 2: Café sendo conduzido da pilagem para secagem final até 13%.

 

FOTO 3: Café retornando à estufa para secagem final até 13%de umidade.

 

FOTO 4: Pilagem de cafés do projeto em estudo.

 

FOTO 5: Medição de umidade do café em estudo.

 

FOTO 6: Separação de amostras para análise final de tipo e bebida.

 

FOTO 7: Família Partelli com técnicos do CETCAF realizadores do estudo.

 

FOTO 8: Secagem em terreiro (fase 3) na propriedade do Sr. Valcir Menegueli.

 

7 - Referências bibliográficas:

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DO CAFÉ. Padrão de bebida para café conilon. Disponível em: <http://www.cetcaf.com.br/padrao bebida conilon/projeto padraobebidaconilon.htm>. Acesso em: 20 mar. 2011.

 CHIMELLO, R. Fatores determinantes da produção para autoconsumo na agricultura familiar. Unoesc & Ciência − ACET, Joaçaba, MG, v. 1, n. 2, p. 163-174, jul./dez. 2010.

 ESPÍRITO SANTO. Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca – SEAG. Novo PEDEAG – Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba. Disponível em: <http://www.seag.es.gov.br/pedeag/index.html>. Acesso em: 20 out. 2011.

 FERRÃO, R. G. et al. Café Conilon, Vitória, ES: INCAPER, p 514. 2007.

 JASPER, S. P.; BIAGGIONI, M. A. M.; RIBEIRO, J. P. Avaliação do desempenho de um sistema de secagem projetado para os pequenos produtores rurais. Ciência e agrotecnologia.  v. 32, n. 4. Lavras, MG, Jul./Ago. 2008. 

 LOPES, R. P.; SILVA, J. S.; RUFFATO, S.; SENA JR., D. G. Consumo de energia em dois sistemas de secagem de café. Ciência e agrotecnologia. Lavras, v. 26, n. 6, p.1266-1274, nov./dez. 2002.

 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Informe estatístico do café. 2010. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/vegetal/estatisticas>. Acesso em: 01 nov. 2011.

 RESENDE, O.; ARCANJO, R. V.; SIQUEIRA, V. C.; RODRIGUES, S.; KESTER, A. N.; LIMA, P. P. Influência do tipo de pavimento na secagem de clones de café (Coffea canephora Pierre) em terreiros de concreto e chão batido. Revista brasileira de produtos agroindustriais. Campina Grande, v. 9, n. 2, p. 171-178. 2007.

 SANTOS, L. O. L.; MARTINS, S. R. Inovação tecnológica na agricultura familiar. Dissertação de Mestrado Um estudo caso dos agricultores familiares da comunidade São João no nordeste paraense. Programa de Pós-Graduação Universidade Federal do Pará, Belém, 2006.

 VEGRO, C. L. R.; MARTIN, N. B.; MORICOCHI, L.; Sistemas de produção e competitividade da cafeicultura paulista. In: Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, 1., 2000, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas, 2000.

 TEIXEIRA, M. M.; Influência dos diferentes processos de pós-colheita na agregação de valor do café conilon. Dissertação de mestrado do Programa de Pós-graduação. Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre-ES, 2011.

 

 

 

AGRADECIMENTOS

CCC-V

FIMAG

Ozilio Partelli e família

Valcir Menegueli e família

Luiz Antonio Polese

Ernesto Moreira Pachito

Eduardo de Souza Pachito

Genivaldo Lievori

Odilon Nicchio

Vanildo Pagio

Izaias dos Santos Bregonci