A ORIGEM DO CAFÉ CONILON
Texto de autoria de Cláudio Pagotto Ronchi, publicado no site www.cafepoint.com.br em 19/08/2009
Existem em todo o mundo mais de 100
diferentes espécies de plantas que são agrupadas em um gênero botânico
chamado Coffea.
Apesar dessa grande diversidade, apenas duas espécies têm importância econômica
relevante no mercado mundial de cafés. Uma delas é a espécie Coffea
arabica, conhecida como café arábica; é originada da Etiópia (África)
(Figura 1), crescendo no sub-bosque de Florestas tropicais, altitudes de 1.600 a
2.800 m, temperatura média anual de 20oC, precipitação de 1.600 a mais de
2.000 mm, teor de cafeína nos grãos inferior a 1,5%. Sozinha, esta espécie
representa cerca de 60% da produção mundial e 70% da produção nacional de
café.
No mundo, seu cultivo ocorre nas Américas Central e do Sul, na África e leste
da Ásia; no Brasil, 98% da produção concentra-se nos estados de Minas Gerais,
São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Bahia. É apreciado pela sua qualidade de
bebida, portanto é empregado na indústria do café torrado e moído (DaMatta e
Ramalho, 2007; Ferrão et al., 2007).

A outra espécie não menos importante,
em função do alto teor de cafeína e sólidos solúveis verificado nos seus grãos,
e que representa aproximadamente 38% da produção mundial de café, é a Coffea
canephora. Esta, por sua vez, origina-se do Congo (África) e é conhecida
mundialmente como café robusta.
O termo 'robusta', portanto, é amplamente utilizado como referência à espécie
Coffea canephora, independentemente da variedade. 'Robusta' traduz-se
como rusticidade e resistência, sobretudo à ferrugem, daí seu nome. Esta espécie
tem origem em sub-bosques densos de Florestas Equatorias, altitude de até 1.200
m, temperaturas médias anuais entre 24 e 26oC; precipitação superior a 2.000
mm, distribuídas ao longo de nove meses do ano, umidade relativa alta, próxima
à saturação.
Seu cultivo, no mundo, ocorre na África Ocidental e Central, SE Ásia, Américas,
com destaque para o Brasil, em regiões quentes e úmidas. Esta espécie compõe
30% da produção nacional de café. No Brasil, seu cultivo ocorre a altitudes
inferiores a 500 m, e temperaturas médias de 22-26oC. Apenas Espírito Santo e
Rondônia produzem 87% do café robusta nacional (DaMatta e Ramalho, 2007; Ferrão
et al., 2007).
Para que se possa entender a origem do nome conilon, primeiramente é
importante dizer que existem inúmeras variedades de plantas que compõem a espécie
Coffea canephora. Por exemplo, duas importantes variedades desta espécie
são a 'kouillou' e a 'robusta'. A variedade robusta apresenta, dentre outras
características, folhas e internódios maiores que a variedade kouillou e também
maior importância econômica no mundo (Ferrão et al., 2007).
Como se pode verificar na Figura 2, a variedade 'kouillou' foi batizada com este
nome, por ter sido encontrada pelos franceses, em estado selvagem, em 1980, às
margens do rio "Kouilou", no Congo (África). No Brasil, com sua
introdução no Espírito Santo, a variedade 'kouillou' passou a ser chamada de
conilon, substituindo-se as letras "k" e "u" por
"c" e "n", respectivamente (Ferrão et al., 2007).
O conilon pertence ao grupo Guineano, e apresenta grande variabilidade em relação
ao porte, caules ramificados, folhas maduras com comprimento e largura menores
que às das demais variedades da espécie, folhas novas de coloração bronze,
frutos vermelhos ou amarelos quando maduros e sementes de tamanhos variados
(Fazuoli, 1986). Sozinha, a variedade conilon responde por aproximadamente 30%
da produção nacional e 70% da produção capixaba de café.
Seu principal destino é o mercado interno, seja para industrialização como
café solúvel ou para compor os blends com o arábica, na indústria do torrado
e moído.

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Este trecho acima é parte do conteúdo
elaborado por Cláudio Pagotto Ronchi para o primeiro módulo do Curso Online
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Vegetal, Cláudio Pagotto Ronchi, que é o instrutor deste curso.
Cláudio Pagotto Ronchi atuou por mais de dois anos como pesquisador do
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural -
Incaper, investigando a fisiologia do cafeeiro conilon. Desenvolveu, no norte do
Espírito Santo, vários projetos relacionados à poda, frutificação e
sombreamento em conilon. Publicou vários artigos científicos, livros e capítulos
de livros sobre café, tanto arábica como conilon. Atualmente, é professor e
pesquisador da Universidade Federal de Viçosa - Campus Rio Paranaíba
(UFV-CRP), na área de Fisiologia Vegetal.
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